A coluna de João Gualberto, pesquisador e professor emérito da Ufes, resgata um episódio pouco lembrado da história econômica capixaba: a erradicação dos cafezais de café arábica, determinada pelo governo federal a partir de meados dos anos 1960.
Segundo o texto, a região norte do Espírito Santo havia se formado no século XX em torno da cafeicultura arábica, o que motivou a construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas, concebida no final do século XIX para levar o produto até o Porto de Vitória. A ferrovia impulsionou a formação da malha urbana da região, incluindo Colatina, erguida em torno de sua estação ferroviária.
Com a política de erradicação, proprietários que aceitaram indenização para arrancar os cafezais deixaram a região, e os meeiros perderam trabalho, já que a orientação era substituir o café por pastagens ou mamoeiros. A coluna descreve esse período como uma ruína geral da economia capixaba, especialmente no norte do Estado, que dependia quase exclusivamente da produção cafeeira.
A política de substituição, no entanto, não previa alternativa para terras abaixo de 400 metros de altitude. Foi nesse contexto que o imigrante polonês Eduardo Glazar, segundo o relato, passou a incentivar o plantio de uma variedade mais adaptada a terras quentes: o café conillon. De acordo com o livro Brava Gente Polonesa, citado na coluna, o plantio começou em 1971 em São Gabriel da Palha, com os primeiros registros de produção em 1974.
A coluna relata que Glazar identificou, em experimentos em sua própria propriedade, que o conillon iniciava a produção mais cedo, rendia mais por pé e por área, e era mais resistente a pragas. Como prefeito, ele passou a distribuir mudas sem apoio de políticas públicas nacionais, e lideranças locais — câmara municipal, prefeitura e empresários — se engajaram na produção de mudas em viveiros.
O texto atribui um papel decisivo ao exportador Jônice Tristão, que estava construindo uma fábrica de café solúvel em Vitória e passou a comprar o conillon produzido em São Gabriel da Palha. Os governadores Christiano Dias Lopes e Arthur Gerhardt também são citados como apoiadores do esforço dos produtores locais, que resultou na consolidação do Espírito Santo como grande produtor nacional de café.



