O El Niño provoca aumento das temperaturas, mudanças na umidade do ar e alternância entre chuvas intensas e estiagem, dependendo da região do país. Essas oscilações climáticas têm reflexo direto na saúde respiratória da população, segundo a Asbai.
De acordo com a presidente da associação, Fátima Rodrigues Fernandes, o fenômeno em si não causa as doenças, mas as alterações climáticas that ele intensifica levam à exacerbação de quadros já existentes. A exposição à poluição atmosférica combinada a variações térmicas extremas fragiliza as vias aéreas.
Asma, rinite alérgica e infecções respiratórias estão entre as condições mais frequentes nesse cenário. A DPOC, doença pulmonar obstrutiva crônica, embora não seja alérgica, também pode aparecer associada à asma. Chuvas e enchentes, como as registradas no Rio Grande do Sul em 2024, aumentam a presença de fungos dentro e fora das casas, e a interrupção de tratamentos médicos durante tragédias climáticas agrava ainda mais os quadros.
Para reduzir os sintomas em ambientes domésticos, a recomendação é fazer limpeza mecânica frequente, com remoção de ácaros, mofo e poeira. Isso inclui aspirar colchões, travesseiros e sofás com aspiradores de filtro HEPA, trocar a roupa de cama semanalmente, evitar brinquedos de pelúcia e limpar superfícies com pano úmido. Fumaça de cigarro, gasolina e produtos de limpeza com cheiro forte também devem ser evitados.
O pólen é um alérgeno externo e não pode ser eliminado por limpeza doméstica. Como as mudanças climáticas alteram o ciclo das plantas e podem prolongar as estações polínicas, pessoas sensíveis devem manter casas fechadas e janelas vedadas. Já o uso de ar-condicionado exige higienização frequente, e umidificadores ou desumidificadores devem manter a umidade entre 40% e 60%, já que tanto o ar seco quanto o excesso de umidade prejudicam as vias respiratórias.
A automedicação é apontada como um risco, especialmente com descongestionantes nasais, que causam efeito rebote e podem levar à chamada rinite medicamentosa. Em crianças pequenas, esses medicamentos podem causar convulsões e arritmias; em idosos, aumentam o risco cardiovascular. O uso recomendado é de, no máximo, um a dois dias em crises intensas, sempre com acompanhamento médico. Cerca de 80% dos pacientes com rinite alérgica também apresentam conjuntivite, e populações vulneráveis, como crianças, idosos e doentes crônicos, devem acompanhar previsões meteorológicas para se antecipar a ondas de calor e dias de alta poluição.


