A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro e do Zepbound, medicamentos usados contra obesidade e diabetes, anunciou a aquisição da AtaiBeckley por até US$ 3,8 bilhões (R$ 19,42 bilhões). Do valor total, US$ 2,8 bilhões serão pagos em dinheiro, e outros US$ 1 bilhão dependem do cumprimento de metas estabelecidas no acordo.

A AtaiBeckley, presidida pelo bilionário alemão Christian Angermayer, é uma das principais empresas voltadas ao desenvolvimento de tratamentos psicodélicos para depressão grave e ansiedade. A companhia nasceu no ano passado da fusão entre a Atai Life Sciences e a britânica Beckley Psytech.

Entre os projetos da empresa está um spray nasal com o alucinógeno 5-MeO-DMT, atualmente em ensaios de fase três para pacientes com depressão resistente a tratamentos convencionais. Também há estudos em fase intermediária com uma variante do MDMA, substância conhecida como ecstasy, voltados ao tratamento de transtorno de ansiedade social.

O acordo reforça uma tendência do setor farmacêutico global de investir em biotecnologias ligadas a substâncias psicodélicas para saúde mental, movimento que já havia sido seguido por empresas como AbbVie e Otsuka. Nos Estados Unidos, o interesse por esse tipo de terapia tem crescido em meio ao apoio de setores ligados ao movimento Make America Healthy Again e a uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em abril, que orientou a agência regulatória FDA a acelerar aprovações de medicamentos psicodélicos.

A compra da AtaiBeckley integra uma sequência de aquisições feitas pela Eli Lilly neste ano, somando cerca de US$ 28,8 bilhões em negócios de biotecnologia, incluindo a Centessa Pharmaceuticals e a Kelonia Therapeutics. A farmacêutica utiliza parte dos lucros obtidos com os medicamentos para perda de peso para expandir sua atuação em pesquisas de estágio inicial, incluindo a área de saúde mental, setor em que já teve destaque no passado com medicamentos como Prozac e Cymbalta.