Quem chega a uma maternidade tende a imaginar que todo enfermeiro presente no parto tem formação específica em obstetrícia. Não é bem assim. A atuação desses profissionais tem crescido nas maternidades brasileiras, mas a presença de um enfermeiro obstétrico ainda não é obrigatória em todas as unidades do país.

Na prática, isso significa que uma mulher pode ser acompanhada durante o parto por um enfermeiro generalista, sem formação específica na área. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no sistema do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

No Espírito Santo, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-ES) contabiliza 205 enfermeiros especialistas em obstetrícia e um profissional obstetriz. O coordenador da Câmara Técnica Materno-Infantil do Coren-ES, Ulysses Maria Pereira, aponta que o número avançou: em 2015, eram apenas 28 enfermeiros obstetras no Estado.

Até o início dos anos 2000, quem se formava em enfermagem já era considerado enfermeiro obstetra, sem a exigência de especialização. Hoje a formação exige prática intensiva: além do estágio supervisionado, o profissional precisa acompanhar gestantes no pré-natal e assistir, no mínimo, 20 partos para concluir a especialização.

O crescimento no Espírito Santo coincide com o fortalecimento da formação da especialidade no Estado. Atualmente, o ES mantém uma Residência em Enfermagem Obstétrica, coordenada pelo Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi), com 30 residentes em formação, além de um curso de pós-graduação inédito voltado à primeira infância, em parceria com a Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), com 60 alunos.

Dados da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo), de 2023, mostram que países cujo modelo de atenção ao parto é baseado na enfermagem obstétrica têm entre 25 e 68 profissionais por mil nascidos vivos. No Brasil, essa densidade é de 5 por mil nascidos vivos. No Espírito Santo, dados do Sinasc (Ministério da Saúde) mostram 124.026 nascidos vivos entre 2024 e 2026, sendo 43.738 partos vaginais (35,3%) e 80.241 cesarianas (64,7%). Entre 2021 e 2025, foram 257.731 nascidos vivos, com 97.740 partos vaginais (37,9%) e 159.921 cesarianas (62,1%).