Os enfermeiros obstétricos vêm ampliando sua presença nas maternidades capixabas. Segundo o Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos do Ministério da Saúde, o número de partos assistidos por esses profissionais no Espírito Santo saltou de 133 em 2022 para 490 em 2023 e chegou a 562 em 2024, um crescimento de mais de 320% em dois anos.
O coordenador da Câmara Técnica Materno-Infantil do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES), Ulysses Maria Pereira, explica que, no parto normal, o profissional não realiza o procedimento, mas acompanha um processo natural do corpo da mulher, intervindo apenas em caso de intercorrência. A lógica é semelhante à das antigas parteiras, que permaneciam ao lado da gestante do início ao fim do trabalho de parto.
Uma revisão sistemática da Cochrane, que reuniu 15 estudos com 17.674 mulheres e bebês, indica que gestantes acompanhadas por enfermeiras obstétricas têm menos chances de passar por intervenções como episiotomia e parto com fórceps, além de maior probabilidade de parto normal.
Apesar do avanço dessa forma de assistência, os indicadores mostram que a cesariana continua predominante no Estado. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), com base no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), apontam que 64,7% dos nascimentos registrados entre 2024 e 2026 ocorreram por cesariana. Em nota, a Sesa afirma que a ocorrência de cesarianas é multifatorial, influenciada por condições maternas e fetais, perfil de risco da gestação, histórico obstétrico e organização dos serviços, e não deve ser analisada isoladamente como indicador de qualidade da assistência.
A autônoma Julyanne Santos, de 26 anos, é um exemplo dessa mudança. Ao engravidar, ela não conseguiu ganhar o bebê na rede particular devido à carência do plano de saúde contratado, mas relata ter sido bem acolhida pelas enfermeiras durante o parto normal do filho Vicente, hoje com três meses. Ela teve o apoio da enfermeira obstetra Bruna Sena, de 34 anos, coordenadora do setor de Pré-parto, Parto e Pós-parto do Hospital Municipal Materno Infantil da Serra.
Bruna Sena explica que a enfermagem obstétrica é habilitada para conduzir partos normais de risco habitual, incluindo a assistência à mãe e ao bebê e a condução do pós-parto. Quando surge alguma evolução inesperada, como hemorragia, sofrimento fetal ou necessidade de cesariana, a equipe conta com a atuação direta de um médico obstetra. Atualmente, o Espírito Santo tem 206 profissionais habilitados nessa área, sendo 205 enfermeiros especialistas em obstetrícia e uma obstetriz.



