O Espírito Santo tem hoje 171 processos minerários relacionados a terras raras, grupo de 17 elementos usados em eletrônicos, sistemas de energia, veículos elétricos e equipamentos militares. Os dados foram fornecidos pela Agência Nacional de Mineração (ANM) ao Século Diário. Juntos, os processos cobrem 71.079,86 hectares e envolvem 70 titulares diferentes.
A maioria dos registros ainda está em etapa inicial: 104 processos em fase de autorização de pesquisa e 28 em requerimento de pesquisa. Há também 20 em requerimento de lavra, sete em concessão de lavra, seis em disponibilidade, quatro aptos para disponibilidade e dois em requerimento de licenciamento. Nacionalmente, o Brasil tem 4.047 processos do tipo, o que coloca o ES com 4,2% do total do país.
Para o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), o crescimento de pedidos de pesquisa está ligado a uma mudança na lógica econômica do setor. Segundo o pesquisador Charles Trocate, integrante da coordenação nacional do movimento, o próprio direito de pesquisar uma área já pode gerar valor financeiro para empresas, antes mesmo de qualquer mina ser aberta.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também acompanha o tema e afirma que o Brasil detém 19% das reservas mundiais de terras raras. Para o movimento, essa riqueza natural coloca o país no centro de uma disputa internacional envolvendo Estados Unidos, União Europeia e China por minerais considerados estratégicos para a eletrificação e a indústria de defesa.
Trocate defende que a sociedade tenha participação na definição de onde a mineração pode ou não ocorrer, citando o exemplo da Serra do Gandarela, em Minas Gerais, protegida por sua importância para o abastecimento de água de Belo Horizonte. Segundo ele, é preciso identificar com antecedência quais regiões do Espírito Santo estão sendo pesquisadas, quem são os titulares dos processos e quais comunidades podem ser afetadas.
O pesquisador aponta que a experiência histórica da mineração no Espírito Santo mostra que os efeitos de grandes empreendimentos não ficam restritos à área da mina. Ele defende que a fiscalização e o acompanhamento social comecem já na fase de pesquisa, antes que qualquer projeto avance para etapas de lavra.



