Empresas do Espírito Santo estão apostando em automação e inteligência artificial para aumentar a produção e reduzir riscos no trabalho industrial. A Mec Show, feira realizada na Serra, reuniu exemplos de novas tecnologias já em testes ou implementação em unidades do Estado.
Um dos destaques é o robô quadrúpede autônomo da Samarco, em fase de testes na unidade de Ubu, em Anchieta. O equipamento atua de forma independente em rotas de inspeção e monitoramento de estruturas geotécnicas, verificando inclusive se os trabalhadores estão usando corretamente os equipamentos de segurança. Segundo Thiago Marchezi, gerente-geral de Estratégia, Planejamento, Inovação e TI da Samarco, o robô é voltado especialmente para atuação em áreas de risco.
O Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC) apresentou um portfólio de 21 máquinas desenvolvidas a partir do Projeto Desafios, que mapeou gargalos industriais em setores como rochas ornamentais, café, cerâmica, pesca, portas, móveis estofados e cachaça. Entre os equipamentos estão uma cortadeira de cana-de-açúcar acoplada a trator, criada para atender cachaçarias de pequeno e médio porte que enfrentam falta de mão de obra e risco de picadas de animais no canavial, e um carrinho elétrico capaz de transportar até 2 toneladas de cerâmicas cruas dentro das fábricas, substituindo o transporte manual.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Universidade Vila Velha (UVV), o Sindifer, a Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI) e a Fapes, e será apresentado em breve a empresas dos setores contemplados, além de estar disponível para quem tiver interesse em produzir os equipamentos.
Na fábrica da WEG em Linhares, sistemas de visão computacional já analisam componentes de motores, incluindo avaliação acústica e de ruídos, tarefas antes feitas manualmente. A unidade produz cerca de 45 mil motores comerciais por dia. Segundo Jairo Latzke, gestor de Sistema da Qualidade da empresa, novos sistemas de inteligência artificial estão sendo implementados para ampliar essas avaliações e identificar falhas, em paralelo à terceira linha de montagem de motores comerciais prevista para a unidade.
A Vale também utiliza inteligência artificial em suas operações, incluindo o controle da velocidade de navios para economizar combustível e evitar multas por atraso nos portos, o chamado demurrage. Segundo Alexandre Pigatti, head de IA e Democratização de Dados da mineradora, esse controle gerou um benefício de 66 milhões de dólares em 2025. A empresa também usa modelos preditivos para estimar em tempo real a umidade e o Limite de Umidade Transportável (TML) do minério, reduzindo a tradicional espera de três horas em laboratório. A Vale afirma já ter treinado mais de 9 mil funcionários diretos e terceirizados para trabalhar com inteligência artificial.



