A hipertensão é a doença mais comum entre os idosos, afetando mais de 60% dessa população, segundo o Ministério da Saúde. Ela aumenta o risco de AVC porque provoca alterações nas paredes das artérias, favorecendo o acúmulo de gordura e o endurecimento dos vasos sanguíneos. O problema é que essas alterações costumam ser silenciosas: dor de cabeça e tontura só aparecem quando a pressão está muito alta ou sobe rapidamente.

O diabetes tipo 2 também é frequente após os 60 anos. É mito achar que a doença surge apenas pelo excesso de açúcar na alimentação — ela tem forte componente genético, agravado por sedentarismo, gordura abdominal, tabagismo, privação de sono e estresse. É verdade que o diabetes pode evoluir anos sem sintomas visíveis, e quando eles aparecem incluem sede excessiva, aumento da urina, perda de peso e infecções recorrentes. Cortar totalmente os carboidratos não é a recomendação correta; o indicado é priorizar os integrais e reduzir açúcares simples, sempre com orientação profissional.

A osteoporose também é silenciosa e, em muitos casos, só é descoberta após uma fratura ou em exame de rotina — ao contrário do que se pensa, ela não causa dor constante nos ossos. Exercícios de força, como musculação, ajudam a prevenir a perda de massa óssea, mas beber leite sozinho não é suficiente: cálcio precisa estar associado a vitamina D, atividade física e, em muitos casos, tratamento medicamentoso. A doença também pode afetar homens, principalmente após os 70 anos, não sendo exclusiva das mulheres.

A perda de massa muscular, chamada de sarcopenia, pode começar de forma sutil entre os 30 e 40 anos e se acentuar a partir dos 50 — não é um problema restrito a quem já é muito idoso. Musculação e alimentação rica em proteínas ajudam a prevenir e tratar a condição, e a atividade física, com orientação profissional, faz parte do tratamento em vez de ser evitada.

A catarata também é cercada de dúvidas. Segundo a oftalmologista Karina Moyses, presidente da Sociedade Capixaba de Oftalmologia, praticamente toda pessoa idosa desenvolve algum grau de opacidade do cristalino, mas nem todos precisam de cirurgia. Não é preciso esperar a catarata amadurecer para operar, e colírios ou remédios não curam o problema — apenas a cirurgia resolve, substituindo o cristalino opaco por uma lente artificial que, dependendo do tipo, ainda pode corrigir miopia, hipermetropia, astigmatismo e vista cansada.

Sobre o Alzheimer, um dos maiores equívocos é achar que todo esquecimento indica a doença. Pequenos lapsos podem fazer parte do envelhecimento normal; o sinal de alerta é quando as falhas de memória passam a comprometer atividades do dia a dia e a autonomia da pessoa. Músicas, fotos e boas lembranças ajudam a estimular o cérebro do paciente, e hábitos saudáveis, junto ao controle de hipertensão e diabetes, podem retardar o aparecimento da doença mesmo havendo influência genética.