O arquiteto e urbanista Antonio Chalhub, que participou da elaboração de PDMs de diversos municípios capixabas, incluindo o de Guarapari em 2016, publicou artigo defendendo que a revisão do Plano Diretor Municipal da cidade parta de diagnósticos técnicos consistentes antes de qualquer audiência pública.

Segundo o texto, a participação social é indispensável no processo, mas não pode substituir o conhecimento técnico. Sem estudos claros sobre uso do solo, infraestrutura, mobilidade, economia e dinâmica demográfica, o risco é transformar as discussões em repetição de discursos genéricos, sem definição de rumo para o município.

Chalhub lembra que Guarapari está cada vez mais integrada à Grande Vitória, o que traz oportunidades de cooperação, mas também disputa por investimentos com cidades vizinhas. Para ele, revisar o PDM sem entender esse papel regional e as vantagens locacionais do município seria planejar às cegas.

O artigo cita a revisão de 2016 como um avanço, que organizou áreas sob pressão imobiliária e criou regras para loteamentos no Contorno e na Enseada Azul. Mas aponta que os desafios atuais exigem definições mais amplas sobre onde e como a cidade vai crescer nas próximas décadas.

Entre as propostas mencionadas estão o fortalecimento do turismo de saúde e de praia sem agravar a mobilidade, a ampliação do turismo ecológico em Setiba, o desenvolvimento de turismo náutico no Canal, a qualificação de Meaípe e do litoral sul, e a criação de centralidades em Guaibura, Santa Mônica e Perocão.

O texto também sugere transformar a área do atual aeroporto em novo bairro, planejar um futuro aeroporto e preparar áreas logísticas no entorno da BR-101. Para o autor, só um diagnóstico técnico sólido permitirá que as audiências públicas cumpram seu papel de construir escolhas e compromissos coletivos, e não apenas reunir desejos sem direção.