As eleições para presidente e para o governo do Espírito Santo são disputas separadas, mas as alianças entre candidatos costumam sugerir um caminho de voto. No primeiro turno, porém, parte do eleitorado capixaba não seguiu essa lógica, criando combinações que ficaram conhecidas como RicarNaro e PazoLula.
Em São Mateus e Boa Esperança, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa presidencial, mas o candidato ao governo apoiado por ele, o deputado federal Helder Salomão (PT), não teve o mesmo desempenho. Nessas duas cidades, a maioria dos eleitores optou por Lorenzo Pazolini (Republicanos), que tem o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial. Essa combinação foi chamada de PazoLula.
O caminho inverso também ocorreu. Apesar da coligação formal entre PL e Republicanos, que uniria o apoio a Flávio Bolsonaro e a Pazolini, 17 municípios capixabas, entre eles Alegre, Laranja da Terra e Piúma, deram a vitória estadual a Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição. Surgiu daí o termo RicarNaro.
Ferraço, que optou por não declarar apoio a nenhum candidato à Presidência para evitar a nacionalização do debate estadual, também venceu em 13 municípios onde Lula saiu na frente na disputa presidencial, como Pedro Canário e Montanha.
Na Grande Vitória, o padrão se repetiu em nível de bairro. Em Vitória, Pazolini venceu em todas as localidades com seção eleitoral, enquanto Lula foi o mais votado para presidente em 19 delas. Em Vila Velha, todos os bairros preferiram Pazolini para o governo, e em sete deles Lula também venceu para presidente. Na Serra, 19 bairros tiveram a combinação PazoLula, e em Cariacica, de 13 localidades em que Lula venceu, oito também elegeram Pazolini para o governo, duas combinaram Ferraço com Lula, e três seguiram a aliança original do PT, com Helder Salomão.
Para o cientista político João Victor dos Santos, esse tipo de divisão de voto não é incomum entre o que ele chama de eleitor pendular, aquele que não segue uma linha ideológica fixa e decide o voto com base em questões pragmáticas ou de afinidade pessoal, e não pelas alianças partidárias formalizadas entre as candidaturas.



