Neste domingo, 27 de setembro de 2026, o Espírito Santo vive um momento de trocas. Trocas de operadora de transporte, de prioridades orçamentárias, de expectativas sobre o que significa escolher uma profissão. Mas há uma pergunta que atravessa todas essas mudanças: trocar de sistema resolve o problema, ou só empurra ele para outro lugar?
Em Vila Velha, a resposta prática chegou: a partir de 1º de novembro, o Sistema Transcol assume as 30 linhas municipais que hoje são operadas pela Viação Sanremo, que atuava sem licitação. É uma correção de rota necessária, determinada por exigências legais, e vai afetar diretamente moradores de bairros como Araçás, que dependem desse transporte todos os dias. A pergunta que fica é operacional: a transição vai manter a qualidade do serviço, ou os primeiros meses serão de ajuste às custas do passageiro?
Enquanto isso, Cariacica aposta em outro tipo de solução: dinheiro na ponta. Os R$ 6.697.215,00 liberados para obras no bairro Santa Paula vão financiar drenagem pluvial, pavimentação e sinalização viária em nove ruas. É o tipo de investimento que não aparece em manchete grande, mas muda a vida de quem enfrenta alagamento toda vez que chove forte. A infraestrutura básica ainda é a fronteira onde o Espírito Santo mais precisa avançar — e Cariacica, nesta semana, escolheu avançar por aí.
Há, porém, uma transição que o dinheiro não resolve sozinho. O estado tem 657 famílias habilitadas para adotar, mas pouco mais de 130 crianças e adolescentes esperando um lar — cinco famílias disponíveis para cada criança na fila. O descompasso existe porque o perfil de quem espera não é o perfil que a maioria dos adotantes procura: são crianças mais velhas, grupos de irmãos, adolescentes. É a prova de que ter recursos disponíveis — sejam famílias, sejam verbas — não basta se a oferta não conversa com a necessidade real.
Do outro lado do espectro etário, Ibiraçu guarda uma história que merece ser contada com carinho: Jandyra Faria dos Santos, nascida na cidade, completou 112 anos em 23 de agosto e é hoje a sexta pessoa mais velha viva do Brasil com idade validada, a segunda do Espírito Santo. É um lembrete de que o interior capixaba carrega histórias centenárias que raramente ganham o destaque que merecem — e que às vezes é preciso um recorde nacional para o estado olhar para dentro de si mesmo.
A Tribuna também fez sua própria transição simbólica neste domingo: uma edição especial de 120 páginas, com suplemento de 72 páginas, para celebrar 88 anos da Rede Tribuna. Em tempos de notícia instantânea e algoritmo, um jornal impresso apostando em espaço físico e permanência é, também, uma declaração de valores.
E há a transição mais silenciosa de todas: como a juventude capixaba está escolhendo o que vai fazer da vida. Especialistas em recursos humanos do estado alertam que jovens têm optado por profissões com base no estilo de vida exibido no Instagram, não na aptidão real ou no propósito. É um recorte pequeno na pauta do dia, mas talvez seja o mais estrutural de todos — porque decisões de carreira tomadas por vaidade digital custam anos de frustração depois.
O fio que conecta essas histórias é simples: o Espírito Santo troca sistemas de transporte, libera verbas, celebra recordes de longevidade e alerta sobre escolhas de carreira — mas o desafio real não é a troca em si, é garantir que a nova versão seja melhor que a anterior. Vale observar, nas próximas semanas, se a transição do Transcol em Vila Velha vier acompanhada de reclamações de passageiros, se as obras de Cariacica saem do papel dentro do prazo, e se o poder público vai finalmente tratar a fila de adoção como prioridade de política pública, e não como estatística incômoda.



