O crescimento da frota de veículos elétricos e híbridos no Espírito Santo começou a mudar a rotina de condomínios. Dados do Detran-ES mostram que, de janeiro a 21 de julho deste ano, foram emplacados 2.173 carros elétricos e 4.754 híbridos, somando 6.927 veículos no estado.
Desde junho, a Lei Estadual nº 12.857 garante ao condômino o direito de instalar uma estação de recarga na vaga privativa. Segundo a advogada condominialista Leidiane Malini, esse direito depende da viabilidade técnica do prédio, com verificação da capacidade da rede elétrica, cumprimento de normas de segurança e contratação de profissional habilitado para o projeto.
A lei não permite que o síndico recuse a instalação sem justificativa, mas admite a negativa quando houver comprovação técnica ou de segurança. Se o condomínio não tiver infraestrutura adequada e o projeto não for aprovado em assembleia, o morador não pode realizar a instalação por conta própria.
O custo da adequação também é motivo de debate. Segundo o presidente do Sindicato Patronal dos Condomínios do Espírito Santo (Sipces), Gedaias Freire, a adaptação completa da infraestrutura elétrica em um prédio com 40 vagas pode custar entre R$ 70 mil e R$ 100 mil, conforme estimativa de engenheiros. A divisão desse valor entre todos os condôminos ou apenas entre os interessados precisa ser definida em assembleia.
Uma alternativa usada em alguns condomínios, segundo a síndica profissional Juliana Monteiro, é o carregador coletivo e rotativo, especialmente onde a capacidade elétrica não permite instalar vários pontos individuais. Nesse modelo, o morador se cadastra em um aplicativo e paga uma taxa mensal conforme o consumo registrado.
O tema será discutido na 9ª Expo Condomínio Completo, que acontece de quarta-feira, 26, a sexta-feira, 28 de agosto, no Shopping Vila Velha, com participação gratuita. O engenheiro mecânico Pedro Assef, de 58 anos, relatou que o processo de aprovação e instalação de um carregador em seu condomínio, em Vitória, levou cerca de um ano.



