A Fazenda Chapadão, em Linhares, propriedade do cafeicultor Eduardo Bortolini, foi escolhida para o primeiro teste do país com gás natural na secagem de café. O piloto começou durante a safra deste ano e recebeu investimento inicial de R$ 1 milhão.
A iniciativa reúne a ES Gás, concessionária responsável pela distribuição de gás natural canalizado no Espírito Santo, além do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), da JDE Peet's e da Base 27. A Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP) acompanha e aprova o projeto.
Entre maio e agosto deste ano, 9,4 mil sacas de 60 kg de café foram usadas nos testes, que envolveram três tipos diferentes de queimadores. Os resultados preliminares foram apresentados no Vitória Coffee Summit 2026, encerrado no sábado, 22 de agosto, na capital capixaba.
Segundo o diretor técnico comercial da ES Gás, Fabio Lancelotti, o gás permite um controle da chama semelhante ao de um fogão doméstico, o que facilita o ajuste de temperatura durante a secagem. Na fornalha tradicional, o produtor depende de mão de obra extra e da logística de reposição da lenha.
O presidente do CCCV, Fabrício Tristão, avalia que o Espírito Santo tem uma vantagem particular para o uso do gás natural: a proximidade entre as lavouras de café e as jazidas ou estações de distribuição do combustível. Em outros países, segundo ele, estudos semelhantes esbarraram justamente na dificuldade logística de levar o gás até as fazendas.
O projeto é considerado de médio prazo, com estimativa de dois a três anos para consolidar os dados necessários sobre viabilidade industrial, custo, sustentabilidade e qualidade do café. Mesmo antes de conclusões definitivas, outros cafeicultores capixabas já procuraram a ES Gás para discutir a criação de pequenas centrais regionais de distribuição do combustível, e o CCCV espera que o modelo se multiplique a partir da safra de 2027.



